Como foi a extensão de Agilidade no Governo no Agile Brazil 2013

Posted on Posted in #governoagil, Agile Brazil

O Agile Brazil é um evento nacional, anual e itinerante sobre metodologias Ágeis de desenvolvimento de software que vem ocorrendo desde 2010, contando com a organização e voluntários de diversas comunidades espalhadas pelo País.

Assim como a edição de 2012 em São Paulo teve o objetivo estratégico de aproximar empresários do setor para esclarecimentos e discussões, com a extensão “Executive Summit”, a edição deste ano em Brasília tinha o objetivo estratégico de aproximar o governo dos métodos Ágeis…

Com algum tipo de manipulação mental ou magia negra, o chair da edição Manoel Pimentel fez com que a ideia de uma extensão de governo surgisse numa das discussões da organização da qual já fazia parte, e cuja responsabilidade pela organização também passou a ser minha. Claro, contei com ajuda de várias pessoas como Juan Bernabó (Teamware), Alisson Vale (ContraIntuitiva), Herbert Parente (TST), João Paulo Novais (Serpro), Claudia Melo (Thoughtworks), Francisco Abreu (PMIDF/Bacen), Rodrigo de Toledo (UFRJ), Carlos Franco (Petrobrás), Eduardo Weller (Bacen), Javé Barbosa (Bacen), Fabiana Ruas (TCU), Wesley Vaz (TCU), Mamede (TCU), Ceci (Caelum), Hilmer (UnB) e Luciana Morais (Criativa Eventos), a quem gostaria de fazer novamente um IMENSO agradecimento por todas as ajudas, toda disponibilidade de tempo, pelas conversas e pelo empenho para que esta extensão tivesse ocorrido e ter sido o sucesso que acabou sendo.

Apesar de não ser do governo, meu envolvimento com o tema vem desde 2007, quando começamos a adotar métodos Ágeis nos nossos projetos para o governo. Em 2008 apresentamos por todo Brasil nosso case de adoção trabalhando para a Aeronáutica. No Àgiles 2009 em Florianópolis (quando participamos das discussões iniciais para a criação do Agile Brazil), começamos a criticar o modelo de contratação de software pelo governo, propondo algumas ideias de melhorias, como métricas de qualidade interna, o que felizmente passou a ser adotado em alguns editais. Em 2010 passamos a criticar duramente a posição do governo (TCU) quanto a desenvolvimento de software não ser atividade intelectual. Em 2011 conseguimos finalmente espaço para dialogar, ouvimos o outro lado, as razões das coisas serem como são, fizemos as pazes, amadurecemos nosso entendimento e passamos a atuar em outra esfera dos problemas, como o Alê pontuou em seu keynote.

A extensão que tivemos esse ano foi resultado de anos de trabalho, mas

ainda estamos só no começo do que podemos alcançar!

Já sabíamos que diversas instituições do governo já utilizam métodos Ágeis internamente. Que essa adoção tinha lá suas adaptações mas era bastante viável e com sucessos comprovados. O ponto mais polêmico que tínhamos que endereçar era a contratação de terceiros para desenvolvimento de software, foco de inúmeras insatisfações de todos os envolvidos. Também sabíamos que ainda há diversas adaptações que devem ser feitas para cumprimento de leis, normas e acórdãos. Por essas razões as contratações foram o foco das apresentações e discussões. E por isso a extensão foi batizada de: Agilidade no Governo – apesar das restrições.

Montamos uma grade que iniciava com apresentação do Rodrigo e Franco com um comparativo entre a lei de contratação brasileira (8.666/93) e americana, resultado de um projeto de mestrado, em que os principais pontos defendidos foram tratar contratação de desenvolvimento de software como algo específico e obrigar por lei entregas periódicas (trimestrais), que favorecem obtenção de resultados – que é o que todos queremos no final das contas.

Passando da discussão sobre a Lei, passamos ao modelo de contrato desenvolvido pelo Herbert, que ele vem divulgando no governo e aqui neste blog, colocando questões polêmicas e interessantes, como: não gerenciar atrasos ou defeitos, não receber documentação sem software funcionando, não entrar no mérito do processo a ser utilizado pela contratada, não iniciar várias OS’s em paralelo, tomar alguns cuidados relativos ao desenvolvimento incremental e uso da métrica de Pontos de Função etc. Tudo colocado com muita sagacidade e bom humor. Considerei esse formato uma tremenda evolução em comparação aos termos de referência mais comuns que encontro no mercado, e ainda atendendo à lei, acórdãos, instruções normativas e tudo mais, gerando resultados!

Feedback das apresentações colhido na hora (gostou médio não gostou)

Outra instituição que também tem uma grande maturidade na contratação de software usando modelos Ágeis é o Banco Central do Brasil, e esta foi outra apresentação selecionada que ficou a cargo do Javé e Eduardo, que mostraram como fazem isso nesta grande instituição já há alguns anos. Destaco neste modelo a forma de solicitação das demandas, a rigidez dos acordos de níveis de serviço, integração contínua, alto nível técnico da instituição e atenção à comunicação (pois eventualmente há distribuição do desenvolvimento entre cidades).

Entre os contratantes do governo, há sempre um grande receio quanto ao TCU (como brinquei – o lobo mau), e argumentos de que as coisas sempre são feitas como são porque o TCU manda ou só aceita dessa forma. Não podíamos deixar de batalhar por uma participação do órgão na nossa trilha para colocar seu ponto de vista e fazer esclarecimentos – e conseguimos!!!

A apresentação do TCU era uma das mais esperadas  por todos os participantes da trilha. Foram colocados pontos muito positivos, o principal deles sendo a viabilidade da contratação de desenvolvimento de software com metodologias ágeis pela administração pública

YES WE CAN!

Mas é importante reforçar alguns pontos colocados pela própria Fabiana e Wesley na apresentação: ela é resultado de um estudo feito pelo órgão para aprender mais sobre métodos Ágeis. Ainda não é uma posição do TCU em si, mas do grupo que realizou o estudo. O estudo ainda deve ser julgado e se aprovado, deverá sair um acórdão e aí sim se tornará um pocicionamento oficial do TCU.

Outro ponto importante: não é obrigatório usar Ponto por Função! Fomos inclusive convidados a apresentar melhorias nas métricas, novas métricas ou novas formas de mostrar resultados. Isto de fato é nosso papel, não do TCU. Bem como dizer “como” serão essas contratações: varia de órgão pra órgão, cultura pra cultura, estrutura pra estrutura…

Depois do evento, participei de um pequeno grupo que discutiu muito sobre ‘apresentar resultados’, e de fato ainda é um ponto frágil no mercado, inclusive no privado. Surgiram algumas ideias, mas vou deixar essa discussão pra outro post.

Ao longo de todas as apresentações, surgiam várias dúvidas que ficavam sem resposta devido ao tempo. Já imaginávamos que isso iria acontecer. Por isso, deixamos um último espaço para uma grande discussão entre todos os participantes das apresentações, palestrantes e demais interessados. Não havia mesa na discussão. Todos estavam presentes como “iguais”, o que gerou certa estranheza de início, mas tudo correu muito bem: pessoas com dúvidas perguntavam a todos, quem tinha o que contribuir respondia, todos prestavam atenção em silêncio e a medida que novas participações eram solicitadas, entravam numa “fila” (um bom exemplo de auto-organização também). Muitas dúvidas foram esclarecidas, novas surgiram, algumas críticas e desabafos colocados pra fora, muitos elogios à iniciativa, à trilha, ao seu formato, ao simbolismo de tudo o que estava acontecendo e a 1h30 de discussão passou voando! Na minha opinião, precisávamos de muito mais dessas oportunidades.

Não sabíamos se haveria forte participação do governo no evento, então inicialmente foi reservada uma sala com capacidade para 90 pessoas. Essa lotou! Tinha gente sentada no chão no primeiro dia.

 

Depois conseguimos uma sala maior, para 300 pessoas onde foram realizadas as apresentações e discussões nos 2 dias seguintes com maior conforto.

Para a organização o saldo foi muito positivo. Todas as expectativas foram superadas de longe! Ficamos todos muito felizes com o resultado e participação do público. Sucesso total!

Episódios inusitados e significativos aconteceram, como a presença de um deputado federal que faz parte da comissão que está reavaliando a Lei 8.666/93. Tivemos aproximadamente 40 minutos de discussão entre alguns presentes e eu e o Samuel Crescência (OnCast) ficamos de elaborar um documento de 2 páginas e envia-lo, consolidando algumas propostas de melhoria.

Nasceu também a ideia de fazer outro evento (ainda sem nome) sobre Agilidade e Governo no ano que vem novamente em Brasília, aproveitando o “movimento” criado. Diante das manifestações que estamos vivendo no País pedindo por melhorias, vejo esta iniciativa do Agile Brazil e sua comunidade como mais uma modalidade de pressão social. Quer ajudar? Entre em contato comigo!

No mais, convido-os a participar das discussões da lista contratatacao-publica-ti@googlegroups.com e a realizar comentários aqui no Blog!

 

Grande abraço!

Willi

http://about.me/renato.willi

One thought on “Como foi a extensão de Agilidade no Governo no Agile Brazil 2013

  1. Excelente resumo. Parabéns. Não pude participar do evento e agradeço o compartilhamento de informações.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *